segunda-feira, dezembro 31, 2012

Desafogo...

[Inicio o post ao som de Rush - In The End.]

Não sei... Não sei de verdade... Só sei que tinha que fazer isso.

(E que música mais propícia para se iniciar um post feito no último dia de 2012...)

Estou desde manhã, quando comecei a mexer em meu computador após quase 5 dias de abstinência total, em um retiro absolutamente solitário em Campos do Jordão, pensando que preciso escrever algo.

Pensei que poderia ser minha já frequente mensagem de final de ano, mas imediatamente ao terminá-la eu já entendi que ela não era suficiente.

E agora eu sei o motivo dessa ansiedade: Eu preciso escrever sobre 2012. Como eu escrevi, pela última vez, em 31/12/2008. Agora por quê raios eu preciso fazer isso, isso eu já não sei...

Tentando descobrir essa razão, comecei a fuçar aqui e, logo de cara achei uma boa pista: Meu último post nesse blog, em que disse que 2011 foi uma porcaria de ano. E ele foi mesmo. Mas é engraçado perceber que ele começou a melhorar logo depois dessa última postagem e desse desabafo que fiz nela. (Coincidência?!?!? E será que foi o ano que melhorou ou meu olhar que mudou?!?!?)

E eis que chegamos a 2012, um ano muito, mas muito agridoce.

Começou "steaming", e repleto de esperanças... Aí veio um solzão, um calorão, movimento, encanto, uma ou outra chuva para refrescar, caindo às vezes mais forte, às vezes mais fraca, mas sempre passageira... Até que devagarzinho, quase imperceptivelmente, as nuvens começaram a se juntar e o céu começou a escurecer... E de pouquinho em pouquinho, as lacunas por onde os raios de Sol costumavam passar para ainda iluminar alguns pontos de minha vida começaram a diminuir de tamanho, e foram se reduzindo, encolhendo, estreitando, até que tudo ficou nublado e o céu se tornou uma miríade de tons de cinza, alguns mais claros, outros mais escuros... As chuvas começaram a ser mais frequentes que a estiagem, os raios e trovões começaram a ser mais frequentes que o canto dos pássaros e, quando realmente a Tempestade caiu, foi devastador.

Terra e céu. Fogo e água. Vento e caos. E pela primeira vez, em muito tempo, eu temi que o navio de minha vida, o leme de minha vocação e o mapa onde estão desenhados meus desejos fossem perdidos, como outrora já aconteceu. E essa Tempestade foi tão forte, tão violenta, tão destrutiva e desordenadora, que se espalhou por mares, costas, vaus, praias e naus inesperadas atingindo proporções realmente surpreendentes.

E o que fazer, quando tudo parece em frangalhos e apenas os alicerces ainda perduram, desgastados e, até certo ponto, escangalhados? Meu caminho, mais uma vez foi o da reconstrução. Não o do conserto, não o da restauração, pois ela me parece, ainda hoje, absolutamente inviável, mas sim o da reconstrução, da reelaboração, da recriação, que necessariamente leva à renovação.

Se senti insegurança? Ainda sinto!
Se senti desânimo? Inúmeras vezes.
Se senti desamparo? Vez ou outra, preciso admitir...
Se senti desespero? Fico feliz em dizer que nunca senti algo assim nesse ano de 2012. 

Nesse ínterim, dou graças a Deus pelo meu otimismo incorrigível, maluco, inocente, por vezes inconsequente, e que me impediu de sucumbir a esse terrível e ceifador sentimento.

E tudo isso foi só no primeiro semestre...

Agora, se nessa metade inicial do ano vivi tudo isso, devo admitir que a segunda metade foi consideravelmente mais tranquila, e a essa tranquilidade eu devo o sucesso dos processos iniciais de reconstrução que venho vivendo. Aliás, tão importante quanto minha própria reconstrução foi a colaboração que pude dar para outras reconstruções que a tal Tempestade tornou necessária... A reverberação e a sinergia que emergiu dessas colaborações dentro de mim e de minha própria renovação foram extraordinárias!

E assim, com até muito mais trabalho dentro de mim do que fora, transcorreu-se o segundo semestre, pelo menos até outubro, quando a primavera se apresentou para tornar meus dias de reconstrução mais claros, longos, floridos, coloridos, perfumados e prazerosos.

Dai por diante, num piscar de olhos, estava em dezembro. Processo de reconstrução a todo vapor, de vento em popa, em ritmo tão agradável que me vi querendo voltar ao mapa de meus desejos para saber se os caminhos que queria seguir se mantem após tudo isso. E, como seria difícil ser diferente, claro que eles se modificaram... Não radicalmente, mas de uma forma sutilmente instigante e renovadora.

Enfim, diferentemente do ano passado, em que estava PUTO da vida com o ano que vivi, nesse ano estou mais positivo em relação ao futuro, sentindo que todos os desafios, bloqueios, desvios, dificuldades e até essa enooooooorme Tempestade pela qual passei não apenas contribuíram para essa necessária renovação, como também colaboraram para me amadurecer um pouco mais.

E se o fluxo continuar sua tendência atual, me parece que esse ano de 2013, que se avizinha sorrindo timidamente, será ao menos melhor que os dois últimos anos. Cruzemos os dedos!

[Encerro o post ao som de Donald Fagen - Miss Marlene.]

1 Comments:

Blogger Unknown said...

Amigo, tudo parece mais difícil olhando de dentro do sistema. Para quem assiste sua vida de camarote a partir da sua narrativa nada tem a dizer senão que sofre por não ter nocao do que é o sofrer das outras vidas que existem rondando por aí. Porque nós daqui do camarote também olhamos a vida de outras pessoas, e pesamos seus coracões por suas palavras, mas também por seus atos. Não vou te dar um conselho, mas uma lembranca. Já nos encontramos em tempos anteriores, e conversamos sobre montanhas que devem ser vencidas, e que quando vencidas, apenas em seus cumes notamos que surpreendentemente só serviram para nos levar a platôs para novas montanhas e novos cumes. Ad Infinitum? Eu seria hipócrita se afirmasse, e você ingênuo se acredita-se. Mas a jornada vale. Se o caminho é árduo, a visão daqui de cima é surpreendente... Imagine dois ou três cumes pra cima? Sorte, amigo, no deciframento desse enigma.

2:53 AM

 

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